Todo ano as feiras do nosso setor funcionam como uma espécie de termômetro do que vamos ver nos próximos projetos. E a Haus Decor Show 2026 deixou uma mensagem muito clara: o design está cada vez mais sensorial, tecnológico e conectado ao bem-estar das pessoas.

Mais do que lançamentos, o que mais me chamou atenção foi perceber como as marcas estão entendendo que arquitetura não é apenas estética. É experiência. É atmosfera. É como o espaço faz você se sentir.
E isso apareceu em praticamente todos os corredores da feira.
Um dos pontos mais interessantes foi o direcionamento das cores do ano das marcas brasileiras, que mostram uma mudança clara de comportamento. Tons terrosos, verdes naturais, azuis suaves e cores quentes inspiradas na natureza dominaram as paletas. Não são cores feitas apenas para aparecer, mas para criar sensação de acolhimento e equilíbrio dentro dos espaços.
Como arquiteto, vejo isso como uma confirmação de algo que já sentimos no dia a dia: os clientes querem casas mais confortáveis emocionalmente. Ambientes que desaceleram.
Essas paletas devem impactar diretamente os próximos projetos, principalmente em áreas sociais, quartos e até ambientes corporativos que hoje buscam uma atmosfera mais humana.
Outro movimento muito forte foi o investimento das marcas em design na iluminação. Não estamos mais falando apenas de luminárias funcionais. Estamos falando de peças que funcionam como elementos escultóricos dentro dos ambientes.
Materiais como vidro texturizado, metais escovados, acrílicos especiais, pedras e composições orgânicas apareceram bastante. A iluminação segue cada vez mais integrada à arquitetura, muitas vezes quase desaparecendo no projeto ou criando efeitos indiretos que valorizam volumes e texturas.
Aliás, textura foi outra palavra-chave da feira.

Revestimentos que exploram efeitos naturais, superfícies táteis e acabamentos que simulam pedra, tecido e materiais orgânicos apareceram como uma forte tendência. Existe uma busca clara por projetos que não sejam apenas bonitos visualmente, mas interessantes ao toque também.
Entre as soluções técnicas, uma tecnologia que me impressiona cada vez mais é a evolução da tela tensionada. O que antes era visto como um recurso mais específico hoje aparece como solução versátil para forros, iluminação difusa e painéis decorativos.
A facilidade de instalação, o acabamento uniforme e a possibilidade de integração com a iluminação mostram como esse sistema deve ganhar ainda mais espaço em projetos comerciais e residenciais.
Se eu tivesse que resumir as principais tendências que a feira reforçou, destacaria cinco movimentos claros:
1 — Cores naturais e afetivas: Paletas inspiradas em terra, água e vegetação.
2 — Iluminação como protagonista do design: Peças autorais e luz pensada como elemento arquitetônico.
3 — Materiais sensoriais: Texturas naturais e superfícies que estimulam o toque.
4 — Soluções construtivas mais rápidas e limpas: Tecnologias que reduzem obra e aumentam eficiência, como os adesivos.
5 — Integração entre estética e tecnologia. Produtos cada vez mais técnicos sem perder o design.
Mas talvez a principal reflexão que eu trouxe da Haus Decor nem seja um produto específico. É a confirmação de que o futuro da arquitetura está menos sobre modismos e mais sobre como os espaços fazem as pessoas se sentirem.
Mais do que seguir tendências, nosso papel como arquitetos é filtrar o que realmente faz sentido para cada projeto. Tendência boa não é a que está na feira. É a que melhora a vida de quem vai usar o espaço.
E se a Haus Decor 2026 deixou uma mensagem, é essa: o bom design não é o que chama mais atenção. É o que faz sentido por mais tempo.








