Todo começo de ano nos convida à reflexão, mas 2026, para mim, chega com um chamado claro: a arquitetura não pode mais se apoiar apenas no que sempre funcionou. Estamos vivendo uma mudança de ritmo, de ferramentas e, principalmente, de expectativas. O arquiteto de hoje precisa lidar com um cenário mais complexo, mais rápido e, muitas vezes, mais desafiador do que aquele para o qual fomos originalmente preparados
Sinto que um dos grandes desafios deste ano é equilibrar técnica, sensibilidade e estratégia. Os clientes estão mais informados, os prazos mais curtos e as decisões cada vez mais impactadas por fatores econômicos, ambientais e sociais. Projetar deixou de ser apenas um exercício criativo e passou a exigir leitura de contexto, responsabilidade e capacidade de adaptação constante, sem que isso nos afaste do propósito de criar espaços que acolhem, funcionam e fazem sentido.
É impossível falar de 2026 sem mencionar a inteligência artificial. Ela já está presente no nosso dia a dia profissional, quer queiramos ou não. Vejo a IA não como uma ameaça, mas como um divisor de águas. Ela otimiza processos, amplia possibilidades e nos ajuda a ganhar tempo. Mas esse ganho só faz sentido se soubermos onde queremos chegar. A tecnologia não substitui repertório, olhar crítico ou sensibilidade humana, pelo contrário, escancara a importância desses atributos.
Outro ponto que considero essencial é a atualização constante. A arquitetura não acontece em uma bolha. Quem não acompanha o mercado, os novos materiais, as soluções construtivas e as transformações do setor corre o risco de projetar para um mundo que já não existe mais. Por isso, o calendário de feiras, eventos e encontros ao longo de 2026 não deve ser visto como algo secundário, mas como parte ativa da formação contínua do arquiteto. É nesses espaços que ampliamos visão, trocamos experiências e construímos repertório real.
Ao olhar para este novo ano, acredito que a arquitetura seguirá se transformando, e isso não é algo a temer. Pelo contrário: 2026 nos convida a sermos profissionais mais atentos, mais informados e mais conscientes do nosso papel.
No fim, talvez o maior desafio da arquitetura em 2026 não seja acompanhar as mudanças, mas ter coragem de mudar junto com elas, sem perder a essência do que nos faz arquitetos.








